Andrea Ropes

Andrea Ropes 9 Nossa primeira entrevista é com o shibarista italiano Andrea Ropes, 34 anos e rigger há oito anos e meio. Hoje se classifica como um profissional do Shibari, ansioso para iniciar suas performances no Cirque Shibari, uma turnê mundial com os mais talentosos artistas de Shibari/Kinbaku existentes.

Vamos conhecer um pouco mais sobre o que pensa, sente e vive Andrea Ropes em relação ao Shibari/Kinbaku. Ao longo e ao final da entrevista, foram selecionadas algumas fotos de suas performances com as cordas.

 

Arte Shibari Brasil – Como e quando começou seu interesse pelo Shibari/Kinbaku?

Andrea RopesTudo começou no final do ano de 2006, quando eu “tropeçei” sobre uma imagem enquanto navegava na web. No início eu não percebi porque eu fui atraído por ela, mas depois de um tempo sabia que era por causa das cordas. Então, logo depois, eu comprei uma corda e eu comecei a aprender e a praticar.

 

Arte Shibari Brasil – O que o Shibari significa hoje para você? Por Quê?

Andrea RopesSe me fizesse essa pergunta há alguns anos atrás, eu responderia que seria uma maneira de dar prazer a parceira, hoje minha forma de pensar o Shibari mudou, pois vejo que o mais importante é a conexão que se realiza com sua parceira.

 

Arte Shibari Brasil – Você aprendeu Shibari sozinho ou teve um Mestre para lhe ensinar?Andrea Ropes 17

Andrea RopesNos primeiros anos passei muito tempo estudando e pesquisando sozinho para depois realizar meu aprendizado com Haruki Yukimura, Hajime Kinoko, Bob Ropomarks, Peter Slemrian e Otanawa. Mas deixo sempre muito bem claro que meu processo de aprendizagem está muito longe de ter um fim.

 

Arte Shibari Brasil – Além do trabalho realizado na Itália, você também os realiza em outros países. Na Europa, há discriminação por esse estilo de vida?

Andrea RopesEu vejo que o Bondage e o Shibari/Kinbaku, por serem práticas excêntricas, são mundialmente considerados tabus. Na Europa como um todo são apenas consideradas “estranhas”, na Itália são consideradas práticas depravadas (risos).

 

Arte Shibari Brasil – Como você define o seu estilo shibari?

Andrea RoAndrea Ropes 2pesEsta é uma pergunta muito boa! Para ser verdadeiro eu não acho que desenvolvi meu estilo próprio. Se tiver um, digo que é inspirado por Kinoko, mas o meu não está sequer perto do dele.

 

Arte Shibari Brasil – Em sua opinião, o que é Shibari?

Andrea RopesEu acho que Shibari é sobre a conexão entre duas pessoas. Você pode conhecer todas as técnicas acerca das cordas, mas se não tiver a conexão com a parceira, tudo isso será inútil. Vejo que se você amarrar um único laço estilo coluna com conexão é muito mais Shibari do que fazer uma suspensão complicada.

 

Arte Shibari Brasil – Você participou de um grande evento internacional, o London Festival of the Art of Japanese Bondage. E em que ano isso aconteceu? Qual emoção sentiu?

Andrea Ropes 28Andrea RopesSim, eu já tive a oportunidade e o prazer de participar em duas edições, em 2012 e 2013. As emoções eram demasiadas embaralhadas, uma mistura de várias, como: o medo de não ser suficiente hábil, mas também o orgulho e felicidade de estar ali, e cinco minutos antes de entrar no palco, todas ficaram no espaço, para o único desejo de me expressar através de cordas.

 

Arte Shibari Brasil – Você usa o Shibari profissionalmente ou como um hobby?

Andrea RopesAté alguns meses atrás era apenas um hobby, mas agora é o meu trabalho. Eu pensei que era um trabalho mais fácil, mas infelizmente não é, porém está repleto de grandes satisfações e grandes pessoas que fazem valer a pena o negócio.

 

Arte Shibari Brasil – Já se apaixonou por alguém que fez uma sessão de Shibari? Como é o seu relacionamento com as mulheres que amarra?

Andrea RopesHahaha, essa eu vou responder apenas na presença do meu advogado!

 

Andrea Ropes 26Arte Shibari Brasil – Quais são as diferenças entre o Shibari Ocidental e o Oriental?

Andrea RopesBem, a principal diferença eu acho que está na cultura, a forma como um japonês olha para as coisas é diferente da nossa, e isso depende de muitos fatores. Provavelmente existem alguns shibaristas ocidentais hábeis o suficiente para serem comparados com os japoneses em termos de técnicas, mas eu não acho que isso poderia preencher a lacuna. Eu também gostaria que os shibaristas ocidentais usassem as cordas para expressarem sua cultura, em vez de simplesmente copiar o ponto de vista dos japoneses.

 

Arte Shibari Brasil – Quais são os Mestres ou artistas que mais inspiraram, ou inspiram o seu trabalho com as cordas?

Andrea RopesPara mim, indiscutivelmente, Kinoko Hajime.

 

Arte Shibari Brasil – Existe um momento particular (um trabalho ou uma cena), com as cordas que lhe deu mais prazer? Qual? Por Quê?

Andrea RopesHá uma abundância deles, mas geralmente é o último que me dá mais satisfação. Isso significa que eu estou continuamente desenvolvendo minha maneira de usar corda.Andrea Ropes 31

 

Arte Shibari Brasil – Existe algo dentro do Shibari que gostaria de realizar?

Andrea RopesBem, “algo” é um termo que talvez não definisse isso, eu acho que acabo de ver/encontrar a ponta do iceberg, eu preciso descobrir o que está escondido abaixo da superfície da água: a conexão.

 

Arte Shibari Brasil – Que conselho daria para aqueles que estão iniciando na arte do Shibari?

Andrea RopesQue se comporte como uma criança que nunca para de perguntar o porquê das coisas e como algo funciona; que está sempre a procura de algo novo; sempre se divertindo com o jogo jogado.

 

A Arte Shibari Brasil agradece ao mais novo amigo Andrea Ropes pela belíssima entrevista e por compartilhar conosco seus sentimentos e projetos em relação ao Shibari/Kinbaku.

 

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Para conhecer mais sobre o trabalho de Andrea Ropes:

Site: http://www.andrearopes.com/

Facebook: https://www.facebook.com/andrearopes2

Fetlife: https://fetlife.com/users/670696

Blog: http://blogcordineclub.tumblr.com/

PicsArchives: http://cordineclubarchives.tumblr.com/

Skype: andrea.ropes

 

Próximos eventos:

Março 14-22: Itália (Milão, Bolonha)

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Abril 17-22: Moscow

Abril 24-25: Bordeaux

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