janeiro, 2015

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Simplesmente Shibari

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Este é um texto que expressa sentimentos, e não apenas técnicas. Realizar um shibari não requer apenas conhecimentos de alguns laços e nós; não é meramente saber fazer: é também sentí-lo, e transmitir esse sentimento.

Já li várias definições, mas nenhuma que transcendesse as questões técnicas e históricas. Minha visão e entendimento para que uma amarração com cordas seja considerada shibari deve passar por 4 questões, não sendo uma mais importante que a outra, e sim complementares.

O processo de amarração precisa fazer com que a modelo/dorei/submissa sinta a dominação numa escala evolutiva. As cordas são a extensão do Dominador/Rigger e cabe a Ele a realização desse processo. Nesse sentido, o antes, o durante e o depois formam um todo, que vai desde a idealização do tipo de amarração e sua respectiva finalidade (suspensão ou solo). Nesse processo não podemos excluir os sentimentos e a troca de emoções que formam a essência do Shibari, pois são eles que dão toda a base para a beleza da amarração.

Deve ser bela, independentemente se feita em cena pública, para fotos ou sessão a dois. Essa beleza deve levar em conta o corpo da modelo/dorei/submissa, fazendo com que as cordas ressaltem ainda mais a beleza feminina. Seios, coxas, braços, vagina, bunda – adoro essa palavra, rsss – são ou não valorizados, dependendo do tipo de amarração. Da mesma forma, as variações do corpo feminino também precisam ser levadas em conta. Alta, baixa, magra, cheinha, pele clara, morena, etc. Aqui, o sentido de beleza pode ser relativo, pois a maior de todas as belezas é a expressão dos sentimentos que o Shibari proporciona.

A amarração também deve conter técnicas e o uso de cordas adequadas, questões totalmente complementares. As cordas tradicionalmente ideais para shibari, indiscutivelmente, são as de cânhamo, juta ou rami, de fibras naturais longas, resistentes, flexíveis, macias, fáceis de desatar os nós e visualmente muito bonitas.

Finalizando, todo esse conjunto de variáveis também deve levar em conta a segurança da modelo/dorei/submissa. Ter sempre à mão uma tesoura de emergência ou faca/canivete (sempre de pontas arredondadas – ponta romba), para que em caso de emergência, por exemplo, uma câimbra violenta ou alteração de P.A. – pressão arterial – numa cena/sessão, as cordas sejam cortadas o mais rápido possível, preservando sempre a segurança da pessoa.
Nesse momento, as cordas que se danem! Saber onde amarrar, com qual pressão, quanto tempo a pessoa suporta, observando sempre se não existe obstrução da corrente sanguínea também são questões muito importantes, e que variam de pessoa para pessoa. Aquilo que se faz com alguém há anos é bem diferente do que quando se faz com alguém pela primeira vez.

A meu ver estas 4 questões definem o shibari: transmitir a Dominação/essência; ser belo; técnicas e cordas adequadas; e ser seguro.
Em 2011 escrevi um post num antigo blog sobre o shibari como arte, comparando-o a uma pintura. Pesquisando mais tarde também li algo na mesma linha no site do Hikari Kescho. A tela é a modelo/dorei/submissa; as cordas são as tintas; as mãos de quem realizam as amarrações são os pincéis. A cada volta, a cada nó, a cada gemido, a tela vai tomando uma forma única. Uma obra de arte feita com sentimentos, técnica e muito tesão.